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14 Julho 2005
Caminhos da sustentabilidade serão debatidos em agosto no
Conarh 2005
O Crescimento sustentado é um dos desejos mais pronunciados
pelos dirigentes empresariais e governamentais do país. No
discurso, fica clara a certeza de que sustentabilidade garante perenidade
e equilíbrio às conquistas, mas há uma pergunta
que não quer calar: as empresas conhecem o caminho? Estão
preparadas para percorrê-lo? Ampliando a questão: até
que ponto as organizações e o país precisam
estar sintonizados para alcançar resultados de longa duração,
em um ambiente de harmonia financeira e social?
O CONARH 2005 – 31º Congresso Nacional sobre Gestão
de Pessoas vai reunir, em agosto, três profissionais para
tratar desse assunto, na palestra Resultados com sustentabilidade,
que não poderia ficar de fora do evento, cujo tema central
é Hora de Agir e Realizar – O Desafio do Crescimento.
São eles: Rachel Negrão Cavalcanti, professora da
Unicamp e consultora; Ricardo Pinto Nogueira, superintendente executivo
de operações da Bovespa; e Maria Luiza Pinto, diretora
de responsabilidade social do Banco Real.
Segundo Rachel, que é especialista em educação
e planejamento de sustentabilidade e responsabilidade social empresarial,
as ações nessa área ainda são muito
incipientes, ou seja: as empresas falam muito e fazem pouco, adotando,
principalmente, ações com efeito de marketing e de
pouca contribuição para a sustentabilidade. “Uma
das minhas principais preocupações é a banalização
dos termos ‘responsabilidade social corporativa’ e ‘sustentabilidade’,
que podem se transformar em clichês, em expressões
de forte impacto mercadológico, mas que não trazem
quase nada de efetivo, de concreto”, alerta.
Na sua opinião, as ações que levam verdadeiramente
à sustentabilidade ainda são pontuais e isoladas e
não transformam a realidade social e ambiental de forma duradoura.
Para que assim aconteça, precisam ser mais do que responsabilidade
social ou ambiental das empresas; devem ser ações
integradas à gestão dos negócios.
País de contrastes
Exemplos de que o país ainda não passou por transformações
favoráveis à sustentabilidade são os contrastes:
em um mesmo período, o Brasil consegue ser o 12º PIB
(Produto Interno Bruto) do mundo, ocupar a 74ª posição
no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) e passar de 5º
para o 2º pior país do mundo no índice de Gini
(que mede a distribuição de renda). Para Rachel, a
partir do momento em que houver uma transformação
verdadeira em direção à sustentabilidade, as
taxas de crescimento econômico crescerão sem estarem
acompanhadas pelo aumento da distância entre ricos e pobres,
ou seja, sem que se acentue cada vez mais a concentração
da riqueza no Brasil.
Mas para isso, a relação de cuidado com o meio ambiente
também precisa ser levada em consideração.
Hoje, algumas constatações nessa área –
como o aumento das taxas de desmatamento do cerrado e das florestas
brasileiras, com o objetivo de ampliar áreas de monocultura
e de pasto, e a elevada emissão de gases de efeito estufa,
principalmente devido às queimadas –reforçam
a idéia de que é preciso haver mudança de cultura
para que se construa o crescimento sustentável.
“É necessário dirigirmos um olhar amplo para
as questões sociais e ambientais, observar toda a cadeia
de causas e conseqüências como participantes inseridos
e produtores desse contexto. Isso sem esquecer que também
somos produto desse sistema. Não podemos transformar a realidade
de hoje com o olhar que tínhamos quando começamos
a criar esses problemas. É preciso engajar empresários,
sociedade e governo na busca pela sustentabilidade”, finaliza.
Novo índice
Além do debate sobre sustentabilidade, o CONARH apresentará
uma novidade sobre esse assunto no campo financeiro. Ricardo Nogueira
vai falar de um novo indicador de sustentabilidade empresarial que
está sendo desenvolvido pela Bovespa e que, segundo ele,
vai ser bastante utilizado pelas empresas e grandes investidores
na seleção dos seus investimentos. O lançamento
do índice está previsto para o final do ano. “Também
vou expor os motivos que levaram a Bovespa a iniciar o desenvolvimento
desse índice, além de falar de suas principais características
como incentivador da melhoria de qualidade de responsabilidade social
e sustentabilidade por parte das empresas negociadas na Bolsa”,
completa. O CONARH 2005 está em novo endereço. O evento
deste ano acontece de 1º a 4 de agosto, no Transamérica
Expo Center, em São Paulo (SP).
Fonte: Conarh/Thaís
Gebrim
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